Minha filha nascera no pé do Natal e lá estava eu, com a barriga cheia de pontos, aprendendo a ser mãe e patroa, all at once ! Minha faixineira de anos foi embora e indicou sua irmã, que indicou uma moça para trabalhar comigo. Nem pedi referência (erro gravíssimo de patroa inexperiente !): o desespero era tanto que contratei, na hora. Uniforme ? Nem pensei nisso, pois ela usava conjuntos de saia longa e blusa de manga comprida, abotoada até a alma, em pleno verão. Cada dia, era um "kit" de cor diferente: era ou cinza, vermelho carmim, verde bandeira ou branco. Cheguei a pensar que se tratava de seguidora do Vale do Amanhacer, mas não era. Idiossincrasias fashion à parte, ela trabalhava bem. Foi no início de fevereiro de 2003, que finalmente caiu minha ficha de que ela não era mesmo normal (eu até tentei acreditar que o fato de ela passar batom e lambuzar todos os dentes - todos, mesmo ! - era normal, pois eu precisava dela): enquanto eu trocava a fralda da minha filha, a moça, que assistia TV junto a nós, na sala, rasgava-se de rir. Corri para ver o que era e - pasmem ! - ela estava rindo de uma matéria do Jornal Nacional, que noticiava a morte de pessoas, decorrente de uma explosão de um tanque de óleo nos EUA. Gelei, parei feito estátua, yo no lo cria en lo que via ! Passei a morrer de medo dela e a sofrer de prisão de ventre, pois hesitava em deixar minha filha sozinha até para ir ao banheiro. Despachei a moça, que passava roupa muito bem, para a casa de uma amiga minha, que precisava de passadeira. Só então descobri que ela acendia velas no quarto onde dormia e que meus lençois percal "made in USA" ( que tirei do meu enxoval para ela usar) estavam furados com pingos de vela. Resumo da ópera: lá estava eu, recém-parida e sem empregada. Nunca decifrei o enigma do vestuário da moça, que não passava de uns 23 anos. Se alguém aí tiver uma dica, pode escrever. Acaba aqui o primeiro capítulo desta minha façanha como patroa, que ora passo a lhes relatar.
- O verdadeiro canal da patroa do século XXI
- Empregada de "forno e fogão" do tempo das nossas mães e avós ? Isso não te pertence mais, cara amiga patroa ! Estamos no século XXI. Pode chorar, pois esta é a mais pura realidade - eu que o diga (e conte, aqui !). Se a sua empregada analfabeta quer ganhar mais do que a professora da sua cidade, se você pediu para ela fazer rosbife e, ao chegar em casa, ela disse que fez o arroz e falta fritar os bifes (esta, aconteceu com a minha irmã!), não se desespere. Faça deste limão siciliano uma mousse bem docinha. Escreva aqui a sua estória e aproveite para rir com as minhas. Abraços da Soraya Castilho.
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