Minha filha já estava com 4 anos e fazia uns 5 meses que a mocinha maranhense trabalhava lá em casa. Ela era meiga, educada, mas não sabia nada de cozinha. Um dia, comprei uma cabeça de brócolis orgânico fresquinha, verdinha; pedi para ela fazer para o jantar, apenas com alho e óleo. Quando cheguei do trabalho, cadê o brócolis ? Ela disse: "Limpei tudo, direitinho: joguei as florzinhas e os talos fora e fiz as folhas". Quase tive um treco, mas relevei (quando a gente precisa, releva tudo, né não ? Melhor: quase tudo). O tempo foi passando e eu empurrando a situação com a barriga (deve ser por isso que eu engordei tanto nos últimos anos !). Lembro-me exatamente: era 12 de outubro e eu fazia uma maria-chiquinha na minha filha, para irmos ao parque, quando descobri que ela estava que era uma colônia de férias de piolho só ! Desesperei ! Minha filha nunca tinha tido piolho ! Foi tiro e queda: a minha empregada era a fornecedora da piolhada. O pior é que ela jurava que não tinha piolho (é claro, pois ela não via a nuca dela, infestada) e eu ainda tive que morrer numa grana, para comprar Kuwel para ela, para a minha filha, para mim e meu marido (àquelas alturas do campeonato, ambos já se achavam igualmente "empiolhados". Era um tal de coçar a cabeça ...). Foi-se embora aquele dia das crianças da minha filha, que ficou em casa. Bem, se a estória da maranhense parasse por aqui, tudo bem. Mas, em seguida, a gente descobriu, por uma irmã dela que era babá na casa de amigos nossos, que a dita-cuja estava grávida (mas era apenas de 5 meses e meio, ela alegava, chorando). Isso era finalzinho de novembro de 2006, uma semana antes de eu viajar (eu tinha viagem a trabalho, marcada para 8 de dezembro). Eu lhe disse que não se deseperasse, que eu ficaria com ela, sem problemas, e a ajudaria a fazer o enxoval do bebê. Uma semana depois, eu embarcava para Caracas e meu marido embarcaria na maior furada: exatamente no dia 8/12, o pior aconteceu - mas não comigo e, sim, com o meu marido ! Havíamos acabado de chegar ao aeroporto, quando o celular tocou: era a dita, chorando, dizendo que passava mal. Meu esposo me largou lá e foi socorrer a menina, de 21 anos, "grávida de 5 meses e meio", que ficara em casa, com a nossa filha. Ao chegar no hospital, o coitado levou um pito do médico: "Mas como o senhor traz a moça para dar à luz, sem os exames do pré-natal ?". Ops, será que ela escutara bem ? Dar à luz, como assim ? Ela somente estava grávida de 5 meses e meio - foi o que ela disse ! Bem, naquele dia, nascia uma menina de exatos 9 meses completinhos, saudável, sem que a mãe nunca tivesse feito um exame pré-natal. Quando voltei ao Brasil, fiquei sabendo que a mãe amarrava a barriga, para não deixar transparecer a gravidez. Infelizmente, ela rejeitou a criança e a abandonou no Maranhão - ah, e abandonou o emprego na minha casa, também, pois ela queria uma "vida nova", sem se lembrar da criança que acabara de parir ! É demais, né ?
- O verdadeiro canal da patroa do século XXI
- Empregada de "forno e fogão" do tempo das nossas mães e avós ? Isso não te pertence mais, cara amiga patroa ! Estamos no século XXI. Pode chorar, pois esta é a mais pura realidade - eu que o diga (e conte, aqui !). Se a sua empregada analfabeta quer ganhar mais do que a professora da sua cidade, se você pediu para ela fazer rosbife e, ao chegar em casa, ela disse que fez o arroz e falta fritar os bifes (esta, aconteceu com a minha irmã!), não se desespere. Faça deste limão siciliano uma mousse bem docinha. Escreva aqui a sua estória e aproveite para rir com as minhas. Abraços da Soraya Castilho.